Wednesday, January 24, 2018

Reservas Lightalive (parte 1)




Após algumas comunicações, tanto com profissionais como com entusiastas, decidimos que seria boa ideia dar a designação de «Reserva Lightalive» a jardins, quintas, zonas protegidas ou a espaços verdes, no geral, que protegem, respeitam e monitorizam os seres vivos que produzem luz (claro que tal designação, só será dada, após o estabelecimento de comunicações entre o projeto Lightalive e os respetivos responsáveis por esses espaços naturais).

Para se receber esta designação, são basicamente necessárias/os: a presença confirmada de seres luminosos no local; o uso responsável de luz artificial; o uso restrito ou nulo de pesticidas, e a preservação no local de zonas naturais sem perturbação assinalável.

Esta designação incentiva as pessoas a proteger o ambiente, a conhecer melhor o espaço que administram, a optar por uma relação amigável com a Natureza e com multipos benefícios para todas as partes.

 Como por vezes, tratam-se de jardins situados em zonas urbanas, a questão do excesso de luz artificial tem sido várias vezes levantada, pois já se sabe, que interfere com os sinais luminosos de várias espécies bioluminescentes e que tem um impacto negativo até em várias espécies não bioluminescentes (como os humanos), e na vegetação, criando problemas de variada ordem, como por exemplo, perturbações graves no ritmo circadiano e confusões tantas vezes fatais nos animais durante as suas migrações.  
Além disso, a iluminação artificial excessiva é um grande dispêndio de energia e dinheiro e impede-nos de ver um céu estrelado.



Tipo de iluminação opressivo e exagerado


Como tal, nesta iniciativa inédita,  o uso responsável da luz artificial tem sido sempre bastante valorizado, ainda que igualmente importantes, são o uso restrito ou nulo de pesticidas, pois frequentemente, apresentam numerosos efeitos secundários, como a contaminação das plantas, dos solos, da água, assim como matam numerosos animais, como os vaga lumes, que são grandes predadores de caracóis e lesmas.

E se estamos a proteger os seres luminosos, estamos também a proteger uma enorme quantidade de biodiversidade, pois os pirilampos são bioindicadores e uns autênticos «barómetros» de saúde ambiental!
Por isso e para compreender como está a saúde ambiental dentro da rede de reservas Lightalive, vai ser feita periodicamente uma monitorização dos seres luminosos aí presentes.


Portanto, o projeto Lightalive, espera que esta iniciativa se estenda ao maior número de aderentes possível.

Um grande obrigado, a quem já aderiu à Rede de Reservas Lightalive!


Ficam aqui então, os primeiros participantes desta iniciativa (os nomes das reservas são atribuídos pelos seus donos):


                                           Reserva Lightalive «Quinta de Montargil»


É uma quinta, em que cresce um olival, algumas figueiras e sobreiros (além de várias outras espécies, como o pilriteiro). 
Existe um pequeno rio na parte mais baixa do terreno.
Ocorrem no local, uma grande variedade de aves (entre as quais, o abelharuco (Merops apiaster),  de répteis (entre os quais, o sardão (Lacerta lepida)), de anfíbios (entre os quais o tritão-ibérico (Lissotriton boscai))  e de mamíferos (entre os quais o javali (Sus scrofa)).
É uma zona escura, e com praticamente nenhuma manutenção (e em regime de sequeiro), onde são apenas efetuadas podas e recolha da fruta.
As espécies encontradas, em apenas 1 prospeção, foram Lampyris iberica e Nyctophila reichii, mas é  provável a presença de mais espécies.
Curiosidades/Peculiaridades: A maioria das oliveiras são centenárias. 
As fotos embaixo retratam o espaço há unos anos atrás, sendo que de momento, crescem em alguns locais, algumas sebes.



Oliveiras centenárias


Um sobreiral está presente em segundo plano



                                       Reserva Lightalive «O Templo das Aves Canoras»


 É um quintal localizado na região de Tondela, com vegetação diversa (ervas aromáticas, hortícolas, plantas ornamentais, etc...) e algumas árvores de médio e grande porte (laranjeira, loureiro, cerejeira, entre outras).
A maior parte do quintal fica  numa zona escura e apenas uma pequena parte é iluminada (devido à influência da iluminação pública vinda do exterior).
Não são usados pesticidas.
Uma variedade interessante de Lampyris iberica tem sido fotografada sobretudo junto à horta (fêmeas e machos adultos), já desde há 3 anos, e pode ser vista  aqui.
Curiosidades/Peculiaridades: É um pequeno quintal que conta já com 33 espécies de aves registadas (certamente atraídas pelas magnífica vegetação, mas também pelos comedouros instalados e por certas árvores frutícolas (como um diospireiro)).
Um fogo florestal em 2017, esteve a escassos 20 metros, desta reserva, da qual seguem as fotos  embaixo:


Pintassilgo



Lagarta de Papilio machaon



Chapim-real



Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla)

    



                                          Reserva Lightalive «Jardim de Leiria»



É um jardim particular, situado na região de Leiria, que tem palmeiras, azevinhos, alecrineiros, iucas,  azáleas, entre outras espécies de plantas.
Fica situado numa zona relativamente escura, onde não são aplicados quaisquer químicos.
Populações diferentes de lampirídeos, estão aqui presentes, nomeadamente de Lampyris iberica, Lamprohiza paulinoi e de Luciola lusitanica.
Neste jardim, já foi feito o registo de  36 espécies de aves, 9 espécies de mamíferos, 5 espécies de répteis e 3 espécies de anfíbios.
Curiosidades/peculiaridades: Ao redor deste jardim crescem pinheiros e carvalhos e localmente têm sido observadas grandes aglomerações de pirilampos.
Foto tirada a este jardim: 

                                                                                 



9 comments:

Tânia Cardoso said...



Gostei muito do conceito!
Parece-me uma medida inteligente, e é uma forma de salvaguardar o nosso património natural e ao mesmo tempo de dar a possibilidade ao público de ter um papel activo na conservação das espécies.

Pleia Des said...



Concordo com a Tânia e este projecto parece-me realmente muito bom, brilhante diria mesmo!!

Fernando Martim said...



A ideia é muito boa mesmo.

Tanta publicação se faz, e pouco ou nada se faz em prole do que se estuda, isto sim é tornar a ciência um instrumento útil para o planeta.

M. Resende said...



Tenho um terreno que deve preencher esses requisitos (para fazer parte da rede das reservas) e tenho todo o interesse que haja reconhecimento de que o que tenho é útil para a humanidade, para o futuro dos meus filhos e do planeta e de receber aconselhamento de especialistas, sobre qual a forma de incentivar os seres vivos luminosos (já que são úteis) a prosperarem por lá, portanto quais os passos seguintes?

Obrigado desde já.

lightalive said...



Boa tarde M. Resende


Por favor, envie-me um email (com essas e outras questões que possa ter) para livinglightfestival@gmail.com


Obrigado por tudo!

mccosta said...



Isso está bem feito.

Assim dá gosto.


Cumprimentos

Rita Fernandes said...



Tenho uma amiga que talvez esteja interessada em participar.

Vou falar com ela.

lightalive said...



Obrigado pela atenção, Rita.

Rita Fernandes said...



Já lhe enviei um email com os detalhes.

Obrigada eu!